O Coronelismo é um fenômeno da política brasileira ocorrido durante a Primeira República e caracterizou-se por uma pessoa, o coronel, que detinha o poder econômico e exercia o poder local por meio da violência e trocas de favores. Esse fenômeno teve início durante o Período Regencial (1831-1842).
➤ Características
1) Esta elite política foi composta por comerciantes, grandes proprietários rurais e chefes políticos locais. Eles eram capazes de exercer influência sobre a população local enquanto autoridades incontestáveis.
2) Os coronéis podiam recrutar pessoas para compor a força militar do governo. Desta forma podiam manter os pilares da exclusão política e do controle sobre os espaços de representação política.
3) Em nível local, os coronéis empregavam as milícias para reprimir e assim, manter a ordem social, ao mesmo tempo em que preservavam seus próprios interesses.
4) Por sua parte, esses homens distribuíam benefícios, patrocinavam a festa do santo local, eram padrinhos de inúmeras crianças que nascessem em suas terras e dava reses aos vaqueiros mais destacados. Assim, estabeleciam uma relação de dependência e temor com os empregados, chamada clientelismo.
5) Os territórios controlados politicamente pelos coronéis eram denominados “currais eleitorais”. Neles, qualquer um que se negasse a votar no candidato apadrinhado pelo coronel poderia sofrer violência física e até morrer. Esse método ficou conhecido como o Voto de Cabresto.
🔺OBSERVAÇÃO:
- O clientelismo é uma relação de troca de favores entre o cidadão e o político.
No Brasil temos uma grande quantidade de exemplos de clientelismo que vão desde a compra de votos à distribuição de benefícios somente na época das eleições.
- O coronelismo, predominante na época da Primeira República, favoreceu este tipo de relação no Brasil.
➤ Decadência do Coronelismo
Apesar de toda hegemonia durante a República Velha, o coronelismo perdeu espaço com a modernização dos centros urbanos, bem como pela ascensão de novos grupos sociais.
Igualmente, a Revolução de 30, liderada por Getúlio Vargas, pois fim a esta maneira de fazer política.
(Fonte: https://www.todamateria.com.br/coronelismo/, 15/09/2019)
QUESTÕES
01. (ENEM) O coronelismo era fruto de alteração na relação de
forças entre os proprietários rurais e o governo, e
significava o fortalecimento do poder do Estado antes que
o predomínio do coronel. Nessa concepção, o
coronelismo é, então, um sistema político nacional, com
base em barganhas entre o governo e os coronéis. O
coronel tem o controle dos cargos públicos, desde o
delegado de polícia ate a professora primária. O coronel
hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de
voto.
CARVALHO, J. M. Pontos e bordados: escritos de história
política. Belo Horizonte: Editora UFMG. 1998 (adaptado).
No contexto da Primeira República no Brasil, as relações
políticas descritas baseavam-se na
a) coação das milícias locais.
b) estagnação da dinâmica urbana.
c) valorização do proselitismo partidário.
d) disseminação de práticas clientelistas.
e) centralização de decisões administrativas.
02. (EsPCEx) “O período da história política brasileira que vai de 1889 a 1930 costuma ser designado pelos historiadores de diferentes modos: República Oligárquica, República do ‘Café-com-Leite’, República Velha ou Primeira República.
Neste período, em troca de ‘favores’, os coronéis exigiam que os eleitores votassem nos candidatos por eles indicados. Tal prática ficou conhecida como ‘voto de cabresto’”. (COTRIM, 2009, modificado)
As duas expressões grifadas (“coronéis” e “voto de cabresto”) referem-se, respectivamente,
a) aos grandes proprietários de terras e ao voto secreto
b) aos oficiais de carreira que exerciam cargos políticos e ao voto censitário.
c) à influência de oficiais do Exército na tomada de decisões políticas e ao voto censitário.
d) aos grandes proprietários de terras e ao voto aberto dado sob pressão.
e) aos grandes proprietários de terras e ao voto censitário.
03. (ENEM) O coronelismo, fenômeno político da Primeira República (1889-1930), tinha como uma de suas principais características o controle do voto, o que limitava, portanto, o exercício da cidadania. Nesse período, esta prática estava vinculada a uma estrutura social
a) igualitária, com um nível satisfatório de distribuição da renda.
b) estagnada, com uma relativa harmonia entre as classes.
c) tradicional, com a manutenção da escravidão nos engenhos como forma produtiva típica.
d) ditatorial, perturbada por um constante clima de opressão mantido pelo exército e polícia.
e) agrária, marcada pela concentração da terra e do poder político local e regional.
04. (MACKENZIE) Assim, com a vigência do Pacto, pouco adiantava vencer nas urnas, era preciso vencer também nas Atas,
onde normalmente ocorria a ”degola” da oposição. O
poder local, dono dos votos, ganhava força. (Leonardo Trevisan )
O texto descreve o contexto eleitoral de um período da
História Brasileira. Identifique-o.
a) Fase Populista, período de grande mobilização das
massas urbanas.
b) Período Imperial, eleições fraudadas pela prática de
violência e liberais e conservadores.
c) República Velha, marcada pelo voto de cabresto e
pressão coronéis sobre o eleitorado.
d) Nova República e a influência da mídia, superando
os partido formação da opinião pública.
e) Anos de Chumbo da ditadura militar, eleições indiretas e o controle político por meio do bipartidarismo
05. (UFSM) O Coronelismo tem como características fundamentais a concentração da propriedade da terra nas mãos de poucas pessoas e o controle dos votos nos períodos eleitorais. Esse sistema, embora insista em permanecer no curso da História brasileira, teve o seu vigor:
a) na República Velha
b) no Estado Novo
c) no Regime Militar
d) no Período Imperial
e) no Brasil Colônia
06. (MACKENZIE) Cabo de enxada engrossa as mãos... Caneta e lápis são
ferramentas muito delicadas (...). Ler o quê? Escrever o
quê? Mas agora é preciso, a eleição vem aí e o alistamento rende a estima do patrão e a gente vira pessoa. (Mário Palmério – Vila dos Confins)
O texto lembra o contexto político característico da
República Velha, cujas origens, em parte, podem ser
atribuídas
a) ao sistema eleitoral, baseado no voto censitário,
usualmente praticado desde os tempos do Império.
b) ao domínio político das oligarquias e ao controle que
elas exerciam sobre as massas rurais e urbanas que
delas dependiam economicamente.
c) ao Tenentismo, que apoiava o fisiologismo e a política de troca de favores instalada pelo regime oligárquico.
d) a uma política sempre pacífica praticada pelos coronéis, que angariavam sólido apoio nas massas rurais.
e) ao caráter não elitista do processo político, que atendia às reivindicações populares, ampliando a organização e a mobilização que elas tinham.
07. (FCC) - O coronelismo na Primeira República era um sistema político baseado na
a) nomeação de patentes militares entre os potentados locais, subordinados aos generais superiores que ocupavam postos na política nacional.
b) troca de favores políticos entre mandatários locais e grupos oligárquicos dominantes em nível estadual e nacional, em cujo centro estava o controle do voto e dos cargos públicos nos municípios.
c) nomeação de Interventores Municipais pelo governo estadual, que ganhavam patentes militares para exercer funções de polícia.
d) troca de favores políticos entre o governo estadual e os latifundiários locais, formando um grupo oligárquico que era contrário às eleições municipais.
e) nomeação de interventores municipais, os coronéis, por tempo determinado, enquanto durassem as eleições estaduais e presidenciais.
08. (FATEC) Entre as principais características do modelo político
adotado no Brasil durante a República Velha (1889-
1930), destacaram-se
a) a política do Regresso Conservador, o militarismo e o
voto censitário.
b) a “política dos governadores”, o coronelismo e o “voto
de cabresto”.
c) o “parlamentarismo às avessas”, o clientelismo e o
voto a descoberto.
d) a “política do café com leite”, o coronelismo e o voto
secreto censitário.
e) a política de valorização do café, o populismo e o voto
universal.
09. (UEL) O coronelismo, fenômeno social e político típico da República Velha, embora suas raízes se encontrem no Império, foi decorrente da:
a) promulgação da Constituição Republicana que institui a centralização administrativa, favorecendo nos Estados as fraudes eleitorais.
b) supremacia política dos Estados da região sul - possuidores de maior poder econômico - cuja força advinha da maior participação popular nas eleições.
c) montagem de modernas instituições - autonomia estadual, voto universal - sobre estruturas arcaicas, baseadas na grande propriedade rural e nos interesses particulares.
d) instituição da Comissão Verificadora de Poderes que possuía autonomia para determinar quem deveria ser diplomado deputado - reconhecendo os vitoriosos nas eleições.
e) predominância do poder federal sobre o estadual, que possibilitava ao governo manipular a população local e garantir à oligarquia a elaboração das leis.
10. (FUVEST) Em um balanço sobre a Primeira República no Brasil,
Júlio de Mesquita Filho escreveu:
“... a política se orienta não mais pela vontade popular
livremente manifesta, mas pelos caprichos de um
número limitado de indivíduos sob cuja proteção se
acolhem todos quantos pretendem um lugar nas
assembleias estaduais e federais”. (A crise nacional, 1925)
De acordo com o texto, o autor
a) critica a autonomia excessiva do poder legislativo.
b) propõe limites ao federalismo.
c) defende o regime parlamentarista.
d) critica o poder oligárquico.
e) defende a supremacia política do sul do país.
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