“O Exército não tem ambições e não quer poder ou
postos. Age abnegadamente por altruísmo brasileiro e
fundamentalmente patriótico e, nesse sentido, os chefes
do movimento revolucionário querem dar o exemplo, que
empresta autoridade à sua crítica aos republicanos que,
até agora, ocuparam os altos postos da administração do
país.”
O trecho acima faz parte do discurso dos Tenentes rebelados em 1924, em São Paulo, que estavam sob a liderança de Miguel Costa, evidenciando
a) o enorme descontentamento do movimento tenentista
com a participação na vida política nacional de seus
oficiais superiores.
b) a defesa que os Tenentes faziam da necessidade de realizar grandes reformas políticas e eleitorais que restringissem o poder dos grandes proprietários rurais.
c) o desejo de um grupo de militares de restabelecer novamente a Monarquia, visto que a República não
atendia aos anseios da maioria da população brasileira.
d) o caráter apolítico do Exército do nosso país que, nesse
momento, ansiava apenas por combater a corrupção
administrativa e não efetivamente participar do poder.
e) o anseio por parte desses jovens militares de participarem da vida política nacional, uma vez que pela Constituição de 1891, isso não era permitido.
O movimento tenentista, que abalou as estruturas da
“República Velha” na década de 1920, teve início com o levante dos 18 do Forte de Copacabana em
1922, continuou com a Revolução de 1924 em São
Paulo e atingiu seu ápice com a Coluna Miguel Costa Prestes em 1924-27. O tenentismo também se
manifestou na Revolução de 1923-25 no Rio Grande
do Sul – causada principalmente por fatores
regionais – e na rebelião do encouraçado São Paulo
(única revolta tenentista ocorrida na Marinha). Na
Revolução de 1924, em São Paulo, o movimento foi
iniciado pelo major Miguel Costa, comandante da
Força Pública (atual Polícia Militar) paulista, e que
depois passou a liderança da revolta ao general
Isidoro Dias Lopes. No pronunciamento transcrito na
questão, podem ser notadas as principais
reivindicações do tenentismo, voltadas para a reforma
do sistema eleitoral e o fim das práticas políticas que
permitiam a perpetuação das oligarquias no poder.
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